As ilustrações de Vladimir Barros de Souza para “A revolução dos bichos em cordel”
Esboço
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O ilustrador e designer gráfico fala sobre os esboços que fez para o livro “A revolução dos bichos em cordel”.
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O poeta recifense transpõe o célebre “Animal Farm” (1945), de George Orwell, para o universo do cordel. Cansados de serem explorados por um patrão bêbado e incompetente, os bichos da Granja do Solar promovem uma revolução para assumir o controle do próprio destino.
“A revolução dos bichos em cordel”. Josué Limeira. (Yellowfante)
“Misturar estilos em narrativas visuais sempre foi uma busca em meus trabalhos e, há algum tempo, já venho trabalhando em projetos que tenham uma cara nordestina. Os movimentos da Xilogravura e do Armorial sempre estiveram presentes em muitas das minhas criações.”
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“Quando comecei a pensar como abordaria visualmente a ‘Revolução dos bichos em cordel’, de cara observei a oportunidade delas terem um papel importante nessa construção. Porém, para que essas linguagens pudessem ter uma conexão com a história do livro, me inteirei sobre a cultura visual que era apresentada na época, principalmente do vanguardismo da Escola de Bauhaus.”
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“Vi no construtivismo russo uma oportunidade de fazer essa intersecção entre os movimentos e promover a história da arte russa, já que o livro se baseia em metáforas políticas da Rússia no período da 2ª Guerra Mundial.”
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“Esse movimento estético-político teve forte influência na arquitetura e na arte do Ocidente. Com a utilização de elementos geométricos e cores primárias, esses artistas sempre apresentavam inovações do ponto de vista construtivo, dando novas leituras a formas abstratas que se uniam em peças que mantêm seus conceitos até os dias atuais.”
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“Foi dessa forma que procurei imaginar as primeiras peças e passei por uma série de desenhos para definir uma estrutura que melhor se adequasse a essa fusão. Na capa, tentei trazer o uso das diagonais dos elementos para trazer foco ao elemento principal (capa com o porco Napoleão).”
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“A simetria também foi algo que procurei observar para as produções, pois nas minhas pesquisas, em alguns cartazes, vi como essas composições procuravam ter uma estética que valorizasse as informações dispostas.”
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“Isso ajudou na definição de ilustrações como ‘a batalha do estábulo’, trabalhadas num conceito simétrico, valorizando as informações visuais que a peça apresenta. Esses esboços ajudaram a imaginar, previamente, as diversas possibilidades de organização dos elementos para que tivessem um valor próprio e reconhecimento único.”
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“Para agregar tudo isso selecionei uma paleta de cores que realçasse e definisse bem toda a proposta. Fazendo uso de tons mais quentes e pastel, eles deram o volume que pensei para casar com as paletas do movimento Armorial.”
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“Os testes nos personagens buscaram ter essa característica de regionalidade, mas trazendo evocações do vermelho, de preto e do marrom, tão utilizados nos cartazes do movimento construtivista russo.”
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Vladimir Barros de Souza
Ilustrador, infografista e motion designer recifense que explora características do regionalismo brasileiro e a cultura pernambucana em suas obras.
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Imagens: Divulgação
Este material foi originalmente publicado na newsletter Rebentos, focada em literatura infantojuvenil e que tem o apoio do Itaú Social.