As ilustrações de Fereshteh Najafi para “A menina e as estrelas”
Esboço
Quatro cinco um
A ilustradora e designer gráfica iraniana fala sobre os esboços que fez para o livro “A menina e as estrelas”
Quatro cinco um
“A menina e as estrelas”. Mariana Ianelli. (Olho de Vidro)
Inspirado na história da norte-coreana Yeonmi Park, o livro é uma homenagem à ópera infantil “Brundibár” e narra a vida de uma menina que tem nome de pássaro em uma terra de pássaros quietos.
“Uma das coisas importantes para mim quando começo um trabalho é encontrar uma conexão pessoal com a história e, neste caso, o texto da Mariana, que fala sobre uma menina que foge de seu país em busca de liberdade, me tocou muito.”
Quatro cinco um
“Eu também deixei meu país buscando uma nova vida, sei como é difícil ser imigrante e encarar tantas incertezas. Por isso a conexão foi imediata e intensa.”
Quatro cinco um
“Na minha pesquisa costumo também procurar referências artísticas que tragam elementos visuais que me pareçam interessantes para incorporar no trabalho. Nesse caso, busquei em Paul Klee essa inspiração. Jogos de cores presentes nas ilustrações deste livro são resultado dessa influência.”
Quatro cinco um
“Depois da etapa de pesquisa, eu começo a esboçar as primeiras composições. Costumo fazer um storyboard bem simplificado para começar a visualizar a composição das ilustrações nas páginas. Na sequência, faço muitos esboços avulsos de personagens e cenários.”
Quatro cinco um
“Para este livro, procurei criar personagens de diferentes culturas e etnias porque queria dar à história um aspecto universal, para que ela não falasse apenas de um determinado país. Regimes totalitários são um problema espalhado por todo o mundo, por isso não quis identificar um lugar específico.”
Quatro cinco um
“Ainda que eu prepare esboços prévios para uma ilustração, na finalização eu procuro estar aberta a mudanças. Conforme começo a espalhar as cores, o trabalho normalmente toma um caminho novo e quase sempre eu mudo bastante o que fiz no estudo.”
Quatro cinco um
“Trabalho com tinta acrílica e pastel oleoso e a expressividade que as texturas e cores que esses materiais proporcionam muitas vezes me leva a tais mudanças.”
Quatro cinco um
“Acredito que o desenho feito de primeira costuma ter um frescor que muitas vezes não conseguimos quando queremos reproduzir exatamente o estudo feito previamente. Por isso, não é raro eu criar uma ilustração sem nem mesmo fazer um esboço.”
Quatro cinco um
“Isso ocorre em várias páginas deste livro, como na ilustração em que a menina sai da cidade enquanto a figura enorme do rei caminha entre os prédios e a população.”
Quatro cinco um
“Por esse mesmo motivo, na finalização do livro eu também incorporei às artes-finais alguns esboços e estudos prévios que me pareciam expressivos demais para serem deixados de lado.”
Quatro cinco um
“Cada livro tem um caminho criativo distinto. Procuro sempre perceber qual é o novo caminho que um projeto que estou iniciando me mostra. Sempre busco que o resultado final tenha algo de diferente dos meus trabalhos anteriores.”
Quatro cinco um
Fereshteh Najafi
Ilustradora iraniana, Fereshteh Najafi possui bacharelado em Design Gráfico e é mestre em Ilustração pela Universidade de Arte de Teerã. Desde 2015 mora e trabalha no Brasil.
Quatro cinco um
Imagens: Divulgação
Este material foi originalmente publicado na newsletter Rebentos, focada em literatura infantojuvenil e que tem o apoio do Itaú Social.