A arte de Mario Cravo Neto
Fotógrafo, escultor e desenhista baiano, Mario Cravo Neto foi um retratista do Brasil negro e multicultural, e um dos primeiros fotógrafos contemporâneos brasileiros a obter consagração internacional.
Nascido em Salvador, em 1947, Mario Cravo Neto é filho do artista Mario Cravo Júnior, integrante da primeira geração de artistas plásticos modernistas da Bahia e amigo de Jorge Amado, Dorival Caymmi e do artista argentino Carybé.
Aos 17 anos, Cravo Neto acompanhou o pai numa residência artística em Berlim e iniciou suas experiências com esculturas e fotografia.
Entre 1968 e 1970, viveu em Nova York, onde fotografou a paisagem e os tipos urbanos da metrópole americana. As esculturas com plantas e caixas acrílicas que começou a criar nos Estados Unidos foram exibidas na 11ª Bienal de Arte de São Paulo, em 1971.
Logo após retornar de Nova York, iniciou a série do fogo. O artista retomou o tema quando seu equipamento foi roubado e queimado pelo ladrão. Cravo Neto criou então uma instalação com o equipamento carbonizado, apresentada pela primeira vez em 1982, num galpão industrial abandonado.
A religiosidade da Bahia, principalmente a católica e o candomblé, é tema frequente em sua obra. Para muitos críticos, há uma relação direta entre o trabalho de Cravo Neto e o do fotógrafo e etnógrafo Pierre Verger, do qual era amigo.
Parte da obra de Mario Cravo Neto são fotos em preto e branco. Nelas, o jogo de sombra e luz e o enquadramento realçam volumes e texturas, criando uma sensação quase táctil.
“No início eu estava preocupado com o aspecto contemplativo: o que o modelo (o olhar meio perdido) conseguia transmitir para mim, através do seu semblante. Depois fui mais eu a moldar os corpos: tensão, fuga, luta, desafios. Fragmentos sintetizados num perfil, pescoço, músculo, veia.” M.C.N
Nas ruas de Salvador, a cor ganha destaque nas fotos, muitas delas reunidas em seus fotolivros, publicados desde os anos 80. Entre esses livros estão “Bahia” (1980), “Ex-votos” (1986), “Laróyè” (2000) e “Na terra sob meus pés” (2003).
No fotolivro “Laróyè”, Cravo Neto reúne imagens coloridas em uma homenagem poética a Exu. “Laróyè” é a saudação reservada ao orixá mensageiro do candomblé.
Mario Cravo Neto morreu em Salvador, em 2009, aos 62 anos, em decorrência de um melanoma, um câncer de pele.
Textos e produção:
Quatro Cinco Um
Imagens:
Acervo Instituto Mario Cravo Neto/Instituto Moreira Salles